007: First Light
007: First Light é um jogo de ação e stealth desenvolvido pela IO Interactive em parceria com a Amazon MGM Studios, atual detentora dos direitos da franquia cinematográfica.

007: First Light Uma Nova Abordagem para o Maior Agente Secreto do Cinema
007: First Light é um jogo de ação e stealth desenvolvido pela IO Interactive em parceria com a Amazon MGM Studios, atual detentora dos direitos da franquia cinematográfica. Lançado em 27 de maio de 2026, o título chegou a todas as plataformas da atual geração, incluindo PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S, Microsoft Windows e GeForce Now. Como curiosidade, por ser o primeiro projeto a contar uma história de origem 100% original para o espião nos videogames, a IO utilizou a sua poderosa Glacier Engine motor gráfico clássico da franquia Hitman, mas precisou retrabalhá-la profundamente para acomodar coreografias de ação mais ágeis e uma narrativa cinematográfica.

Ao observar o histórico da IO Interactive, é impossível ignorar o fato de que o estúdio passou os últimos anos dedicando-se quase exclusivamente à série Hitman. Naturalmente, precisamos levar essa bagagem em consideração ao analisarmos a mais nova adaptação do agente secreto. Confesso que não sou o maior fã dos jogos do Agente 47, e dos clássicos antigos do espião britânico, como 007 GoldenEye. Porém, o que sempre se destacou na franquia Hitman foi a sua natureza profundamente sistêmica: cada missão oferece inúmeras formas de resolução, operando como um verdadeiro quebra-cabeça de possibilidades. Pelo menos, foi assim que sempre entendi esses jogos.
Seria natural esperar que um jogo de 007 feito por eles herdasse essa mesma estrutura, correto? Bom, não é bem isso que acontece em First Light. Para a minha surpresa, o estúdio optou por uma abordagem muito mais direta, flertando com uma "pegada" ao estilo Uncharted. O jogo entrega cenas de ação desenfreada que certamente deixariam Nathan Drake com inveja ou, no mínimo, o fariam olhar e dizer: "Bem, eu já fiz isso". Mas, deixando as comparações um pouco de lado: o que é, de fato, um jogo do 007 desenvolvido por uma empresa com o DNA de Hitman?

Logo de cara, posso afirmar que é um excelente título e um forte candidato a aparecer no The Game Awards. Em um ano dominado pelo peso de um GTA, ele pode até não levar os prêmios principais, mas, ainda assim, transborda ótimas ideias. Um momento que já considero quase unânime entre os jogadores é a sequência de treinamento no início da campanha. O jogo realiza uma montagem magistral, alternando cutscenes e gameplay com a mesma linguagem de edição dos filmes de espionagem. Foi exatamente nessa cena que a experiência realmente me "pegou" ali percebi que estava diante de uma obra extremamente polida e inspirada. Toda essa introdução é construída de forma tão fluida, misturando jogabilidade e Quick Time Events, que a sensação é a de estarmos assistindo a um verdadeiro filme interativo.
Um ponto importante a se destacar é o ritmo dessa introdução. O jogo possui um tutorial consideravelmente longo; durante as três primeiras missões, novas mecânicas continuam sendo apresentadas. Por um lado, isso é positivo. No entanto, por causa dessa forte vibe de filme, eu esperava que a narrativa se desenrolasse de forma mais ágil e que o jogo "largasse a minha mão" mais rápido. Como isso não acontece, o começo pode soar um pouco arrastado para algumas pessoas. Contudo, agora que finalizei a campanha, acredito que essa cadência mais lenta foi essencial seja para apresentar o peso dramático dos personagens ou para solidificar todas as possibilidades de combate à nossa disposição.

Curiosamente, o jogo cria uma certa ilusão de escolha e me enganou com a sensação de que eu poderia resolver os objetivos de maneiras completamente distintas. As missões em si são ótimas, mas, independentemente de você adotar uma abordagem diferente seja envenenando um guarda sorrateiramente ou criando uma distração com uma bomba de fumaça, o desfecho tende a ser o mesmo. Eventualmente, você passará por uma porta, uma cutscene muito bem dirigida tomará conta da tela, e a situação inevitavelmente culminará em um combate aberto.
Combate esse, aliás, que se revelou extremamente divertido. A variedade de ações possíveis confere aos tiroteios uma empolgante sensação de improviso. Claro, é sempre bom lembrar que, no fim do dia, estamos falando de um videogame com suas próprias lógicas limitantes. Você pode entrar em uma sala, travar uma luta contra cinco capangas, derrubar o cenário inteiro e fazer um barulho ensurdecedor; ainda assim, na sala seguinte, todos os guardas continuarão agindo pacificamente, como se suas vidas seguissem normalmente e nada tivesse acontecido.
Mas tudo bem, faz parte da suspensão de descrença da mídia, e que bom que essa essência clássica ainda está lá. 007: First Light entrega sequências de ação capazes de deixar muitos gigantes da indústria AAA de queixo caído. E, como mencionei no início, em certos momentos, até mesmo nosso velho amigo Nathan Drake fica bem para trás.

Para concluir, 007: First Light entrega um combate incrivelmente divertido e dinâmico, que se sustenta com muito frescor do início ao fim da campanha. A história também tem seus grandes méritos, brilhando especialmente ao mostrar a jornada de origem de James Bond e os eventos que o forjaram até ele conquistar o cobiçado status e a licença para matar do título "007".
É verdade que, por ser um projeto da IO Interactive, fica aquela inevitável comparação com a franquia Hitman. Sendo bem honesto, eu realmente esperava que o jogo fosse nos oferecer um leque maior de possibilidades sistêmicas para resolver as missões. Ele até tenta inserir opções furtivas e algumas rotas alternativas, mas não se aprofunda muito nessas questões, preferindo afunilar a experiência para o seu núcleo de ação.
Apesar dessa limitação para quem esperava um simulador de espionagem complexo, essa escolha de design resulta em cenas interativas e de ação verdadeiramente memoráveis. No saldo geral, eu realmente gostei de tudo o que o jogo ofereceu. É uma aventura empolgante, cinematográfica e que respeita o peso do maior agente secreto do mundo, mostrando que a IO Interactive sabe ir muito além do universo de Hitman.

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Este é só o primeiro capítulo
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